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Como a UOL
está bloqueando o stream de áudio, tive de embutir os samples em arquivos
flash para poder usá-los. Logo, tenha paciência, os arquivos de flash
terão de primeiro ser carregados antes de o áudio ser executado (no quadro
acima). Isso pode demorar um pouco, dependendo de sua conexão.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Vamos
tentar encarar de primeira a mais freqüente das perguntas sobre o assunto:
existem de fato trip-hop e downtempo? São gêneros realmente diferentes ou no
fundo se trata da mesma coisa?
Sem medo de errar e sendo bem
direto: são certamente dois
gêneros distintos, embora muito próximos. Deve-se considerar, não
obstante, que há uma década eram mais
delineados e apartados. Hoje em dia chegam a estar tão próximos que em determinados
casos é realmente impossível indicar com precisão o que é o quê. Diversos artistas têm em
ambos influências fortes, e acabam produzindo música nos dois lados, ou
numa zona cinzenta entre eles, ficando difícil determinar pra qual lado
pendem mais. Mas vamos pensar da seguinte maneira: não há a necessidade de
um artista ser 100% trip-hop ou downtempo, ele pode perfeitamente abarcar ambos os
semblantes, isso até dentro de uma única faixa. Acostume-se com a possibilidade de termos como "trip-hop com
influência de downtempo" ou "downtempo com influência de trip-hop". Cito
sempre como exemplo o Zero 7, que pra muitos vem a ser downtempo, e pra
muitos vem a ser trip-hop. Eu sem pestanejar me encontro entre os que os definem como downtempo, mas entendo que eles produzem faixas dentro daquela dita zona
cinzenta (à qual volta e meia me referirei), e por isso também aceito quem prefira dizer
serem eles trip-hop. Porém, não obstante tal zona de confluência, downtempo é uma
coisa e trip-hop é outra. A quem tiver a intenção de conhecer bem ambos os
gêneros, é importante ter em mente que
isto é algo diferente disto.
Após escutar ambos os samples,
creio que uma primeira idéia apareça em sua cabeça. "Opa, o primeiro
sample é razoavelmente mais lento que o segundo". Tendo percebido isso,
você começou a entender o que é trip-hop (o sample mais lento) e o que é
downtempo (o sample mais rápido). Esta é a principal diferença entre os
gêneros, e a que mais facilmente o ajudará a identificá-los: o tempo.
Para lembrar o que vem a ser tempo, vamos checar o Houaiss: unidade
abstrata de medida do tempo musical, a partir da qual se estabelecem as
relações rítmicas; pulsação. Tempo é o andamento de uma composição
musical, a velocidade pela qual se apresenta ou deveria apresentar-se;
indica cada uma de suas partes, com andamentos diferentes, traduzindo o
temperamento dessa composição.
Pois bem, você deve lembrar-se
de suas leituras sobre o upbeat (música de pista) que no final da década
de 70, começo da de 80, um tal de DJ Frankie Knuckles começou a fazer
experimentações eletrônicas com a disco music, fundindo influências como o
funk e o soul. Deu o pontapé àquilo que em algum tempo seria batizado com
o nome da casa noturna de Chicago onde ele tocou entre aproximadamente 77
e 83: Warehouse music (abreviando-se em seguida para house music). O house veio a
influenciar todos os gêneros eletrônicos que o seguiram, e não seria
diferente com o slowtempo. Estabeleceu uma grande linha divisora para a
música eletrônica, nas 120 bpm (batidas por minuto). Acima disso temos o
upbeat (música de pista de dança), e abaixo disso o downbeat (música via
de regra não pra pista). Por certo essa é uma visão clássica, e em tese
nada impede que uma composição de downtempo ultrapasse as 120 bpm. No
entanto, esse não é o mérito aqui e por isso não vamos entrar na
discussão. Apenas lembre que a casa das 120 bpm tende a delimitar mais ou
menos o que vem a ser downbeat e o que vem a ser upbeat (termos estes que,
se não tão populares no Brasil, são de uso comum na Europa e nos EUA).
Possivelmente você está
acostumado com os gêneros de pista de dança, house, techno, electro,
trance, dnb, e não tenha lá tantas dificuldades pra saber quem é quem
nessa área. Porém, ao entrar no downbeat, remova o absolutismo que você
possa porventura ter em sua cabeça em virtude do upbeat. Enquanto lá as
coisas são mais bem delineadas, no downbeat tudo é mais tortuoso. Os
conceitos não são nítidos, porque os artistas também não o são. É comum um
artista produzir faixas em diversos estilos de slowtempo, bem como mudar
de direção em sua discografia e mesmo num único álbum. Veja o Terranova
por exemplo, que já produziu trip-hop, downtempo, faixas com uma pegada
bem hip-hop, e, em seu último trabalho (Digital Tenderness), foram parar
no synthpop/electropop. Essa mescla toda de possibilidades é o downbeat. E, ao passo
em que os artistas mesclam, os conceitos também se aproximam sobremaneira.
Afora isso, temos igualmente o próprio "nascimento" do trip-hop como
influência pra essa confusão toda que é o downbeat. Lembremos:
Situando-nos no tempo: estamos
em Bristol (Inglaterra), no final da década de 80, após uma forte onda
chamada Wild Bunch ter varrido a cidade nos últimos anos (desde 1983). Com
a dissolução do sound system (Wild Bunch), surgiram diversos artistas frutos desse grupo.
Os Massive Attack (tidos quase que unanimemente como os "pais" do trip-hop)
vieram desse movimento. Em 1991 lançaram aquele que é visto (também quase
unanimemente) como o primeiro álbum do gênero (apesar de já existirem
composições de trip-hop anteriores a isso): Blue Lines. Alguns bons anos
passaram até um crítico da revista Mixmag usar o termo "trip-hop" em uma
resenha sobre Tricky, já em 1995. O termo foi rapidamente adotado pela
mídia, aparecendo em outras resenhas, em matérias sobre o estilo, e quase
que subitamente ganhou popularidade entre o público também. Passou
então a ser adotado pela própria indústria da música. Nesse ligeiro
desenvolver é que surge o ponto de importância. Enquanto o crítico da
Mixmag tão-somente quis com o termo fazer referência ao temperamento das
músicas, a uma espécie de "hip-hop viajante", não foi dessa maneira que o
termo pegou. O termo passou a ser usado como substituto ao que antes se
chamava apenas de "a música de Bristol". Ou seja: foi acolhido mais como
uma referência geográfica do que como uma tentativa de agrupar artistas
com reais e fortes laços de similaridade. Seguindo a onda de Bristol, tal
música começou rapidamente a aparecer em outros grandes centros
britânicos, como Manchester e Londres. Logo, não esquecida jamais a origem
de Bristol, o trip-hop passou a ser encarado como um tipo de música
eletrônica em slowtempo (lenta) tipicamente inglesa (questão até de "orgulho
nacional").
Qual o resultado disso? De uma
música traçada geograficamente? Como você pode imaginar, houve uma espécie
de "feijoada eletrônica", com os mais diferentes tipos de ingredientes
dentro. Ouça Portishead e
Lamb, dois dos artistas tradicionalmente apontados como trip-hop, e
pense se são tão semelhantes assim. Existem diferenças ainda maiores, mas
creio que essa (escolhida em virtude da grandiosidade dos nomes desses
artistas na cena) seja o suficiente pra que se entenda o que tentei
ponderar.
Muito embora os artistas da
velha-guarda, os pioneiros no gênero, jamais tenham concordado com o
rótulo "trip-hop", o fato é que ele pegou. Os Massive Attack, por exemplo,
não cansam de dizer em entrevistas que eles sequer sabem o que é
"trip-hop", dizem que são apenas "Massive Attack". Entretanto duas coisas
eles não negam, na verdade eles mesmo afirmam categoricamente: são música
eletrônica e são downtempo. Opa, fato importante este. Você quem sabe
tenha questionado ligeiramente: "como assim downtempo?". O rótulo downtempo
é anterior ao rótulo "trip-hop", o próprio Massive já o usava. Com isso
referiam-se apenas ao fato de sua música ser lenta. Aí o significado
principal de downtempo: música lenta. Claro, estamos tratando de música
eletrônica, então entenda como "música eletrônica lenta". Porém tal termo
veio a ser usado como uma forma de rotular aquilo que tivesse um tempo
inferior ao do house. Em sendo assim, você não precisa dizer "downtempo
eletrônico", porque "downtempo" é um termo que com os anos virou um rótulo
da música eletrônica (você não fala "trance eletrônico", "drum and bass
eletrônico", então também não precisa dizer "downtempo eletrônico"). Se
músicas de outros gêneros podem também ser downtempo, isso não importa
(assim como outras músicas podem induzir a um estado de transe, outras
usam bateria e baixo, e nem por isso os gêneros acima referidos reclamam
uma espécie de sufixo: "eletrônico"). Simplesmente o nome do rótulo é
esse.
No começo o significado de
downtempo era apenas o comentado acima, era somente um termo genérico. Com
a disseminação da música eletrônica lenta pela própria Inglaterra e outros
países da Europa e EUA, aquilo que já era experimental (sim, tenha sempre
em mente que o downbeat é essencialmente experimental) começou a dar
margem a músicas de estilos ainda mais variados. Com o aumento da demanda
e a popularização do termo trip-hop, operou-se, como conseqüência, uma
cisão entre o trip-hop e o downtempo. O trip-hop batizava a música que
seguia as influências da escola de Bristol, e o downtempo ganhou um
sentido específico, vindo a rotular música eletrônica também lenta mas que
não se encaixava suficientemente dentro do estilo Bristol. Via de regra
tratava-se de uma música com um temperamento um pouco mais acelerado,
menos escuro, menos nostálgico; uma música que parecia quase querer
adentrar nas pistas de dança. Muito embora a cisão tenha sido feita, o
termo "downtempo" não perdeu seu sentido genérico, apenas ganhou um outro
sentido, agora específico. Como resultado, temos isto: o downtempo
genérico, que comporta dentro de si o downtempo específico e o
trip-hop. Isso mesmo, há 2 significados pra downtempo, um como o
Massive se auto-rotula (sentido genérico), outro como os freaks de
música eletrônica lenta na maioria das vezes usarão (sentido específico).
Ah sim, isso lhe deveria dar uma pista importante. Caso alguma hora você
esteja na dúvida de como rotular um desses artistas, prefira simplesmente
dizer que se trata de downtempo (ou sinônimos genéricos: downbeat,
slowtempo). Você não terá cometido pecado nenhum, já que o trip-hop faz
parte do downtempo. Por outro lado, chamar tudo de trip-hop implica
inevitavelmente cair em erro. Você pode sem problema dizer que Portishead
é uma banda de downtempo (embora seja preferível dizer trip-hop — ou ao menos slowtempo
ou downbeat —, só pra evitar confusão), porém não estará sendo
correto caso diga que os Thievery Corporation são trip-hop.
Voltemos a nosso ponto de
partida dessa viagem à década passada. Ouça isto
e depois isto. Vamos ver se você está seguindo a
idéia... O que é o quê? Sim, a maior diferença, e nisto vou sempre
insistir, aquela que mais o ajudará a identificar os gêneros está no
tempo. "Por que no tempo? O tempo é por si só algo tão relevante capaz de
distinguir dois gêneros?" Lembre-se do que foi dito acima: não pense com a
cabeça no upbeat (e menos ainda em gêneros não eletrônicos). As coisas
aqui no downbeat não são tão nítidas. Lembre-se da origem histórica do
termo trip-hop, e da gama de coisas diferentes que foram postas lado a
lado simplesmente por serem de Bristol e, em seguida, da Inglaterra;
lembre-se da maleabilidade dos artistas igualmente. Num cenário desses, o
tempo, embora não seja a única característica, é quem mais o vai ajudar e
o fará em 90% dos casos. Vejamos:
O trip-hop é o gênero
marcantemente slowtempo (exemplo: Mandalay, Bergman), diz-se: lento por excelência.
Já o downtempo apresenta um temperamento um pouco mais acelerado, indo do
tempo lento-médio (exemplo: Alpha, Pelican City) ao médio (exemplo: Tosca,
Afterlife). Essa
diferença no tempo, auxiliada por uma instrumentação voltada a isto,
produzirá um resultado sensível aos ouvidos, que é a atmosfera mais escura
e melancólica que o trip-hop apresenta; embora possa ser escurecido e até
melancólico, dificilmente uma composição de downtempo será isso com a
mesma intensidade que o trip-hop o pode ser. "Ah, o trip-hop é mesmo
escuro boa parte do tempo, e também tem como característica a presença de
vocais femininos né?". Opa, cuidado... Apesar de muitos identificarem
isso, os vocais femininos não são um elemento do trip-hop. Basta-nos
lembrar dos pais do gênero: Massive Attack e Tricky (que participou do
Massive em sua formação original). Contudo existe realmente uma
prevalência. Eu penso que isso se deve muito à intenção de uma espécie de
contra-peso musical. Explico: há de fato muita escuridão no trip-hop;
quando não preponderantemente escuro, tende a ao menos apresentar uma
influência da atmosfera enegrecida. Os vocais femininos, nesse ambiente,
promovem um belo contraste para com a música profunda, um contraste da voz
aguda para com a música grave, entre a claridade e a escuridão;
metaforicamente, como uma batalha entre o bem e o mal. Eu particularmente
vejo aí a grande graça do trip-hop, esse contraste. Procure perceber isso com Portishead
e Anthea.
Outras características
marcantes poderão auxiliá-lo na identificação. Poucas são as faixas de
trip-hop instrumentais, e menos ainda os artistas que se focam nisso
(embora eles existam, como Soma Sonic). O instrumental, na maioria das
vezes, vem a ser lounge, experimental ou downtempo. Por outro viés,
o lado acústico e orgânico das composições apresenta uma maior importância
para o trip-hop que para o downtempo, o qual tende a ser mais eletrônico.
Também o trip-hop é comumente mais "mínimo", centrando-se em alguns
elementos por faixa; batida, baixo, vocal... + algum sample por vezes
(como em orquestrações) + scratch por vezes + algum instrumento
convencional,
ou piano, ou violão, ou violino, ou guitarra etc — diversas vezes com
poucos acordes. Não comumente haverá o
uso de vários desses elementos orgânicos, os quais, não obstante, têm
grande importância no trip-hop, pela atenção que recebem em uma música
cheia de espaços a serem preenchidos. Já o downtempo não aplica a mesma
importância a esses elementos, e com freqüência se socorrerá a mais
de um em uma mesma faixa, fazendo do mesmo um uso mais luxuoso (carregado) que o
trip-hop. Enquanto o trip-hop acredita mais no poder da simplicidade, e
aplica mais freqüentemente fórmulas minimalistas ("less is more"), o
downtempo não presta tanta atenção a isso, ao menos não com a mesma
intensidade. Ainda, mais comumente tais elementos "acústicos" são na
verdade produtos
eletrônicos no downtempo, ou resultados de uso de samples; já no trip-hop
o uso de instrumentos convencionais é mais freqüente, com reais formações
de bandas (e não apenas DJs), apesar de usar igualmente recursos
eletrônicos e samples para tanto.
Mas essas são tendências,
porque na maioria das vezes os artistas envolvidos nesses gêneros assim se
comportam, e jamais necessidades; lembre-se do que foi dito: são gêneros
em essência experimentais, e não existem regras nem fórmulas absolutas.
Bastante por isso as influências vão dizer respeito muito mais aos
artistas isoladamente considerados do que aos gêneros como um todo. Assim,
caso você pense em algum artista que não se encaixe exatamente nas
características que descrevi acima, você estará, antes de me desmentir,
corroborando nesta tese. Para todas essas "regras" haverá exceções. Ao
passo em que existe pouco trip-hop instrumental, existe bastante downtempo
com vocais; existe trip-hop alegre e existe downtempo melancólico. Como
dito, as fórmulas não são precisas. Eu citei acima Lamb, e você pode
ter-me questionado quanto a serem eles trip-hop. Eu concordaria com você,
pois embora eles tenham faixas que realmente parecem trip-hop, outras muitas
parecem fugir bastante do trip-hop tradicional. No entanto do mesmo modo
não creio que eles soem especificamente downtempo. Acredito que eles
atiram pra todos os lados, e, dessa maneira, conseguiram criar com sucesso
um estilo próprio, que não se confunde com o de qualquer outro artista de
downbeat que eu consiga lembrar-me. Na falta de um termo melhor, considero
então apropriado os chamar de trip-hop, e é realmente dessa maneira que a
coisa pegou pra banda.
Voltemos aos samples acima
(quando retornamos da "viagem à década passada"),
pra responder a charada. A primeira faixa é "Lebanese Blonde" dos Thievery
Corporation; downtempo essa. A segunda é de Neneh Cherry, chama-se "Twisted
Mess"; trata-se de trip-hop. Mais alguns: isto é
trip-hop, e isto é downtempo;
isto é trip-hop, e isto é downtempo.
(Lembre: veja o quadro no topo da página para conferir quem são os
artistas e quais as faixas; estas últimas não são charadas, os nomes
estarão escritos lá).
Vamos comparar agora:
Enquanto
isto, isto e
isto são exemplos de trip-hop escuro,
isto, isto e
isto seriam downtempo escuro (embora o quarto
da seqüencia, Amon Tobin, encaixe-se melhor em IDM, produz igualmente
downtempo).
Este é um exemplo de trip-hop
instrumental, e este de downtempo
instrumental. Ah sim, reforço: existe
vocal no downtempo também, e realmente em grande número (insisto nisso
porque já ouvi algumas pessoas definindo, erroneamente, o downtempo como
gênero apenas instrumental). E quem disse que o
trip-hop não pode ser alegre?
Quanto à melancolia, vamos
tentar estabelecer uma progressão, ouça os samples abaixo, na ordem, e
acompanhe. Talvez não seja uma ordem perfeita, mas tende a decrescer na
melancolia (embora todas sejam, a meu ver, de algum modo melancólicas):
»
antenne - black eyed dog (trip-hop)
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lêndi vexer - tribute to desolation (trip-hop)
»
canidas - opt (trip-hop mínimo)
»
portishead - undenied (trip-hop)
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(parênteses aqui pra encaixar a faixa to kill a dead
man do portishead, uma das primeiras deles, ainda sem o formato
tradicional da banda e querendo dar uma puxada pro downtempo, e algumas
outras influências)
»
trash palace - your sweet lover (nesta faixa, downtempo quase
trip-hop — é cabível dizer-se o inverso)
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pelican city - sesame street (downtempo com
influência de trip-hop)
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naomi - girlfriend (downtempo com alguma
influência de trip-hop)
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zero 7 - passing by (downtempo)
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unkle - in a state (nesta faixa, downtempo)
Compare por último um artista
que produz pendendo pros dois lados: Waldeck.
Floater, uma faixa mais trip-hop, e Aquarius,
mais downtempo.
Como você deve ter percebido,
bastante do aqui apresentado é bem parecido, embora sejam tradicionalmente
rotulados como gêneros diferentes. Eu lhe digo: sim, isso é verdade, e trip-hop e downtempo
são hoje em dia ainda mais semelhantes do que eram na década passada; e observe que discordar das rotulações nem sempre significa
errar — determinados artistas são realmente cinzentos, como ponderado,
podendo encaixar-se em múltiplos rótulos, em conformidade com a cabeça e
os conceitos de quem rotula. Quem sabe a tendência seja até o abandono desses rótulos fixos num
futuro não distante, deixando-os apenas como marcas datadas: década de
90. E, então, passem-se a usar primordialmente rótulos de significados
mais amplos, como downtempo (em sentido genérico), slowtempo ou
simplesmente downbeat. O futuro nos dirá.
Acho que é isso, pessoas, até
porque eu cansei de escrever. Caso eu não tenha sido claro, tenha sido
confuso, tenha errado em qualquer tentativa de conceito, peço desculpas. Ah, e
falei em synthpop né, em lounge, existe também abstract hip-hop, idm,
experimental, coisas que mantêm uma relação próxima com o downtempo e o
trip-hop (de qualquer maneira, a maior confusão que você encontrará quanto
a esses gêneros virá geralmente mesmo dessa coisa trip hop versus
downtempo). Mas isso fica pra, quem sabe, outra hora... ;-]
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Guto
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